terça-feira, 18 de maio de 2010

À você, que me decifra



Heey, psiu! É, é você mesmo que está sentado em frente ao computador acompanhando estas linhas. Tem uma coisa aqui entalada, e eu não sou de segurar o que sinto, compreende? Preciso te dizer umas verdades, à você que me lê todos os dias, ou às vezes, quando lembra, enfim: a você que me lê neste momento. Quero - e preciso - fazer um anúncio de um sentimento que captei e decodifiquei dentro de mim, uma coisa tão íntima quanto tudo o que nestas letras se faz presente. Descobri que é assim: escrever é um ato extremamente individualista. Sou egoísta mesmo nesse sentido. Todos estes que nos presenteiam e presentearam com suas doces e trágicas palavras não escreviam para nós. Agora sim, eu compreendo bem e digo: escritores são individualistas. Não escrevo para te fazer sorrir, se emocionar, sentir um aperto no peito ou um suspiro de alívio por não se sentir sozinho no mundo. Me ocorre que escrevo para ME fazer feliz ou, no mínimo, menos sozinha. Derramo todas essas palavras pensando em diminuir meu tão famoso buraco no peito e aliviar minha dor, que penso ser tão maior que qualquer outra em um jogo sujo de olhar para meu próprio umbigo. Jogo tudo o que está enroscado no coração e apertando a garganta para você que está aí do outro lado - e tudo o que eu não consigo suportar sozinha, eu te dou. O que tento realmente dizer, meu caro amigo ou amiga, é que sou tão egoísta com minhas frases quanto qualquer um que escreva para se sentir completo, e sou tão trapaceira quanto um jogador de pôquer que arma planos para fazer saltar o que se passa no seu coração. Escrevo porque tenho medo de ser sozinha e preciso te dizer que não quero ser sozinha. Escrevo pra desabafar e pra você me ler pensando que eu sei o que você sente. No fundo, faço isso pensando no que somente eu sinto. Mas aah, a recompensa final! O tesouro no fim do arco-íris: seu agradecimento. Ou então, no mínimo, reflexão. Você me lê e eu te permito me ler em benefício próprio, e então me conta o quanto se identificou e sentiu o coração batendo mais forte, mesmo eu tendo escrito mais para mim do que para você. Me animo, me alegro de pensar em quanto você - que está acompanhando estas linhas agora - permite a seus olhos brilharem ou esboça um sorriso mesmo que eu só tenha feito tudo por mim. O que acontece é que eu necessito entender que minhas dores são compartilhadas e que não sou dona absoluta delas. Jogo aqui os restos do que não cicatriza, e você os recolhe sorrindo. Portanto, te agradeço por não deixar meus pedaços soltos por aí para guardá-los dentro de você. Escritores - amadores, profissionais, de blog, de fim de caderno - sabem do que eu falo. Achei desconfortante e individualista demais deixar perdurar essa ilusão bonita, então não se deixe enganar. E aqui vai meu mais sincero agradecimento a quem me lê e aprecia sabendo dos meus defeitos expostos feito feridas, e dessa nova - talvez não tanto - verdade seca e absoluta: escritores são individualistas.

Clarissa M. Lamega

3 comentários:

Bruna disse...

*-* adoro seu individualismo então ♥

Amanda Arrais disse...

Recolho sorrindo mesmo e eu que agredeço ao ler cada um dos teus textos.
Escritores são individualistas.

Clarissa M. Lamega disse...

Obrigaada, meninas! mas não pensem que eu não dou o devido valor à vocês, que tanto me fazem bem!

beijão

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