quinta-feira, 4 de março de 2010

Sofia e a bagunça do destino



Sofia abriu os olhos no meio da madrugada e chegou a piscar várias vezes para distinguir o real do imaginário. Com o sonho flutuando sobre a sua cabeça, e as mãos esperançosas e destranbelhadas esticadas em sua direção. Ela queria voltar para aquele sonho, e aqueles braços fortinhos e quentes que a abandonaram no meio da noite. A garota fechava os olhos e se concentrava em tudo que sentira e vira no sonho, mas nada trazia aquilo de volta.
Nada o traria de volta, afinal. Acorda de manhã, desliga o despertador, toma um banho quente com os cabelos longos escorridos pelos seios e sorri, sorri para a água caindo sobre seus olhos e do coração desenhado no box, entre a fumaça e o calor, com dedos macios e inocentes de quem ainda não sabia quase nada do amor. Só sabia que amava. Então sofia olhou o coração de fumaça e achou pequeno pra tanto amor, então esticou todos os seus cantos e desenhou um enorme coração, todo cheio por dentro, então riu ao pensar que.
Aquela menina ainda tão nova, mas que já sabia tanto da vida, não conhecera o amor intimamente, não o convidara para um chá nem tampouco convivera com ele. Só sabia que algo a mais batia no peito, e tinha também aquela alegria boba de esperar Pedro chegar, de gaguejar e arrumar o cabelo diante da presença dele. E aah, o perfume! Sim, seu perfume era tão másculo e generoso se distribuindo por todos os cantos aonde ele entrava. Pedro, porém, ao perceber o nervosismo da amiga, apenas dava pequenas risadas divertidas de um grande amigo. ele não ria da água no banho nem mesmo desenha corações em boxes. Mas gostava de olhar para Sofia, e o fazia com o prazer da sua hora mais contagiante do dia.
Pedro voltava para casa de ônibus e esperava por aquele trecho do caminho: o outdoor da propaganda de amaciante, onde uma menina loira sorria de olhos fechados com os braços abertos num gesto enorme como para abraçar todas as flores do campo de flores amarelas aonde estava. Seus lábios e seus cabelos soltos lembravam tanto os de Sofia, e seu sorriso imenso fazia Pedro rir de tantas tolices. Ele, com sua postura já de homem, barba rala falhando em alguns pontos, seus grandes olhos negros que pediam atenção. Suas mãos eram grandes e quem sabe até poderiam juntas abraçar a cintura toda de Sofia, um dia pensou. Sua melhor amiga era sim, magra e muito bonita. Tinha olhos pequenos e atentos esverdeados, lábios não muito grossos, postura delicada e uma maneira divertida e simpática para falar. Pedro chegou em casa e, como havia faltado na aula e perdido matéria, tirou de sua mochila o caderno cheio de figuras diversas na capa de Sofia. Havia pessoas, flores, um disco de vinil, notas musicais, um batom, e todas aquelas partes integrantes do universo feminino meramente coladas na capa do caderno. Ele folheou as páginas procurando a matéria a se copiar, e por um segundo de distração (que também poderia ser chamado de peripécia do destino) deixou cair o caderno mal apoiado na mesa sobre o chão. O que se seguiu então, decidiu todo o rumo desta história. Pedro arregalou os olhos de admiração e se sentiu estranho e surpreso ao ver que, de dentro do caderno jogado ao chão, voou lentamente um pedaço de papel vermelho com as iniciais P.H. seguidas de um singelo coração, até aterrisarem no chão. Coincidentemente, seu nome era Pedro Hoots, o que lhe arrancou, sem nem perceber, um pequeno sorriso dos lábios.

(Continua...)

Clarissa M. Lamega

2 comentários:

Fernanda disse...

amei muuuito teu blog, amei esse "conto" e o resto ? hahahaha, beijos, parabéns !

Clarissa M. Lamega disse...

aah guria, obrigada!
você não acredita, mas não consegui ainda terminar esse texto, apesar de dizer que continua, porque escrevi e não achei boa a continuação. mas te prometo que vou escrever mais dele, ok?

beijão

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