quarta-feira, 15 de dezembro de 2010


"Sei viver sem você, oficialmente falando. Mas eu não quero, não vou. Eu poderia te dizer aquelas doces mentiras sinceras - 'Você-é-minha-vida', 'Não-sei-o-que-seria-da-minha-vida-sem-você' ou todo esse tipo de porcaria que a gente diz no calor da hora. As pessoas são assim, dizem que não sabem viver sem você. Depois aprendem e esquecem de comemorar contigo. E deixam vazio o lugar que sempre será delas. Eu não, simplesmente estou aqui. De vez em quando sujo, entediado, agressivo, mal-humorado, triste, calado e chato. Mas aqui."


Gabito Nunes in Guarda-chuva

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010


"Respiro aliviada e sugo o máximo de você, pra ter a certeza absoluta de que não é você. Não sonhei com você. Não quero passar minha vida ao lado da pessoa mais estranha do mundo. Imagina só ficar grávida de um homem que tem pavor de mulher com enjôo? Imagina só ficar velha ao lado de um homem que tem pavor da vida óbvia, cotidiana e imperfeita? Eu viveria infeliz.
Não é você. E lá vem você me perguntar porque é que estão todos casando, e falar pela trigésima vez que você vai acabar sozinho e não deve nada a ninguém. E lá vem você me olhar apaixonado e, no segundo seguinte, frio. E me falar para eu não sofrer e para eu ir embora e para eu não esperar nada e para eu não desistir de você. E eu me digo que não é você. (...)
Me despeço, já sem aquela dor aterrorizante, das partes de você que mais amo. Ainda que eu nem te ame mesmo. E me despeço das partes da sua casa que eu mais amo. Ainda que nada disso seja amor."


Tati Bernardi in Eu nem te amo mesmo

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010


“Conta pra mim de onde a gente se conhece. De onde vem a sensação de que sempre esteve aqui, quando eu sei que não estava. Conta por que nada do que diz sobre você me parece novidade, como se eu estivesse lá, nos lugares que relembra, quando eu sei que não estive. Conta onde nasce essa familiaridade toda com os seus olhos. Onde nasce a facilidade para ouvir a música de cada um dos seus sorrisos. Onde nasce essa compreensão das coisas que revela quando cala. Conta de onde vem a intuição da sua existência tanto tempo antes de nos encontrarmos. Conta pra mim de onde a gente se conhece. De onde vem o sentimento de que a sua história, absolutamente nova, é como um livro que releio aos poucos e, ao longo das páginas, apenas recordo trechos que esqueci. Conta de onde vem a sensação de que nos conhecemos muito mais do que imaginamos. De que ouvimos muito além do que dizemos. De que as palavras, às vezes, são até desnecessárias. Conta de onde vem essa vontade que parece tão antiga de que os pássaros cantem perto da sua janela quando cada manhã acorda. De onde vem essa prece que repito a cada noite, como se a fizesse desde sempre, para que todo dia seu possa dormir em paz. Conta pra mim de onde a gente se conhece. De onde vem essa repentina admiração tão perene. De onde vem o sentimento de que nossas almas dialogavam muito antes dos nossos olhos se tocarem. Conta por que tudo o que é precioso no seu mundo me parece que já era também no meu. De onde vem esse bem-querer assim tão fácil, assim tão fluido, assim tão puro. Conta de onde vem essa certeza de que, de alguma maneira, a minha vida e a sua seguirão próximas, como eu sinto que nunca deixaram de estar. Conta pra mim por que, por mais que a gente viva, o amor nos surpreende tanto toda vez que vem à tona.”


Ana Jácomo



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Indicação de Marcos Ferreira. Obrigada, achei lindíssimo *-*

"Hoje acordei inteira. Migalhas? Pedaços? Não, obrigada. Não gosto de nada que seja metade. Não gosto de meio termo. Gosto dos extremos. Gosto do frio. Gosto do quente (depende do momento.) Gosto dos dedinhos dos pés congelados ou do calor que me faz suar o cabelo. Não gosto do morno. Não gosto de temperatura-ambiente. Na verdade eu quero tudo. Ou quero nada. Por favor, nada de pouco quando o mundo é meu. Não sei sentir em doses homeopáticas. Sempre fui daquelas que falam "eu te amo" primeiro. Sempre fui daquelas que vão embora sem olhar pra trás. Sempre dei a cara à tapa. Sempre preferi o certo ao duvidoso. Quero que se alguém estiver comigo, que esteja. Mesmo que seja só naquele momento. Mesmo que mude de idéia no dia seguinte."


Fernanda Mello

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Nas ondas do teu mar


Sabe aquela onda gigantesca e avassaladora que te dá um caldo na praia toda vez que você se atreve a encarar o mar? De nariz empinado, vai pulando as ondinhas toda serelepe até encontrar aquela de dois metros e meio que te faz rolar, tira seu biquíni do lugar e ainda por cima acaba com a sua pose de boazuda. É, nos últimos meses eu venho sendo afogada por essa maré de desespero com espumas de histeria que você é. E sempre que me sinto na maior, com o controle da situação, tua força imensa arrasta minhas pernas do lugar pra me mostrar mais uma vez o quanto eu fico fraca, burra e carente perto do seu sorriso incerto. É sempre a ladainha do querer-e-não-poder e do psicopensamento tô-nem-aí-pra-você, e você com cara de tacho demonstrando o quanto pode ser idiota, o quanto se engana com o que pensa querer e na verdade não quer. Pô, até eu sei que você não quer inisistir nisso. Até a louca, desvairada, carente e obsessiva por orkut da ex e por colo sabe que não vai dar certo. Será que, além de repetir cento e cinquenta vez 'não vai dar certo' pra mim mesma em pensamentos frágeis todos os dias, eu preciso gritar isso pra você também? E agora, dá pra você parar de ser o maremoto e se tornar uma daquelas ondinhas inofensivas de beira de praia? Eu tô tentando, pô. Colabora pra eu ter uma repentina amnésia amorosa.
Você é a onda de calor, a maré do afeto, o tsunami que não deixa sobrevieventes pelo caminho. Você é a água geladinha que dá só pra molhar os pés, porque a água na cintura já se torna perigosa. Suas mãos na minha cintura se tornam perigosas. E como um barquinho na tempestade, imersa em teus olhos, me deixo afundar. Em transe, em estado de anomalia, maluquinha da silva, te busco. E te procuro em lugares em comum, nas ruas da cidade, na tua voz chamando meu nome. Te espero na porta lá de casa, e ainda digo "vamos lá, pode entrar, ondinha". Mas você não é onda, você é gigante e forte feito maremoto. Você não entra: invade. Invade a casa, o pensamento, a razão, o coração. Até tudo ficar imerso no teu mar, até eu querer me perder pra sempre no cantinho do seu sorriso safado. E lá vem você de novo me chamando pra bater um papo comum pra saber como eu tô. Pra descobrir se você ainda tem o poder sobenatural de arrancar meu medo, de me fazer andar aos pulinhos e te querer muito. E te querer sempre. E sentir falta do seu cabelo bagunçado, das suas mãos desajeitadas e dos olhos analíticos super curiosos a me observar. Sim, você consegue fazer isso. Um aviso, então: não precisa mais tentar, você já sabe que dará certo.
E em todas as vezes você me fez feliz. Em todos os momentos, aquele carinho nas costas e o cheirinho no pescoço se sentiram dignos de serem exibidos mundo afora. Eu, com sorriso quilométrico de orelha a orelha, mergulhando no tsuname como patinha boba. Levando os maiores caldos da história da humanidade, me afogando um pouquinho mais a cada dia na tua água, e sempre à postos quando ouço tua voz me chamando. E eu te juro que nesses dias todos a única coisa que eu mais queria era ser menos sensível com você, e mais sensível comigo. Fugir dos teus braços como se foge de macumba, fugir da perdição da tua boca pra afastar toda a ressaca do dia seguinte. Sair daqui sem me embolar no arrastão que você faz dentro de mim, sem levar pedaços meus a cada baque mais forte das tuas ondas no meu peito. Mas colabora, vai, queridinho. Tá chegando o fim do ano, a época de pular as sete ondinhas e de fazer um pedido a cada onda. Me deixa pular a sua também, transpassar e fazê-la ir embora. Me deixe passar ilesa por ela, pra que na virada do ano um dos meus pedidos não seja te ter novamente. Colabora, deixa eu ser corajosa, deixar pra trás, e seguir em frente. Mais ondas virão, eu tenho certeza. Então deixe de ser tempestade, e me ajude a fazer do maremoto uma onda sutil. Tudo o que dói, dói porque é capaz de mexer lá no fundo da gente. Que você se torne arredio e escorra como água nos dedos, pra enfim me fazer desistir de te segurar. E que você também não sinta mais falta da minha preocupação persistente pra que você seja feliz. Que meu pedido nesse novo ano seja pra que as águas se renovem numa paz plena de felicidade. Me deseje coisas boas também: Deus me emprestará Seus olhos pra te vigiar e me contar se você está sorrindo da maneira que prometeu, pra eu poder seguir em frente. Sem culpa.



Clarissa M. Lamega

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010


"Popó certa vez disse, em uma entrevista, que na hora a pancada não dói, só dói no dia seguinte. Por que seria diferente com ele, se com todos nós funciona assim?"


Martha Medeiros in A pancada no dia seguinte (Coisas da vida)

"[...] Ela lamentava um amor arrancado a fórceps de dentro dela. Seu homem se fora. Doía no século 17, dói no terceiro milênio, certas coisas não mudam. "


Martha Medeiros in Ai de mim (Coisas da vida)
 
Só enquanto eu respirar. Design by Exotic Mommie. Illustraion By DaPino