quinta-feira, 2 de maio de 2013




“Agora a guerra é mais suja, dizem alguns, pois se mata de longe, apertando botões ou lançando veneno. Antes se rasgava o ventre do outro ou se decepava sua cabeça, depois se corria, mãos molhadas de sangue, a estuprar mulheres e crianças na aldeia próxima.
O que seria mais sujo ou mais higiênico, eu não saberia distinguir. (...)
Mas o mundo não é só isso. O mesmo animal predador, que mata por lucro e poder, também produz arte, ama, sabe refletir, ensinar, expressar idéias incríveis, acolher o amigo, segurar a mão do amado que morre.
Pode parecer tolo, mas eu acredito que, nos momentos de sombra, mais do que argumentar e gritar ou deprimir-se, a gente devia acender a pequena chama de algo positivo. Se cada um cultivar afeto, beleza e lealdade em seu ambiente, por pequeno que seja, isso há de espalhar claridade no mundo. E não haverá apenas sombra e horror.
Porque se a gente não acreditar nisso, melhor será correr para o campo de batalha (ou para uma de nossas ruas mesmo) e abrir o peito à primeira bala de quem quer que seja.
Bala perdida serve – e não é coisa assim tão rara.”

Lya Luft in Tambores de Guerra (Pensar é transgredir) 

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