segunda-feira, 6 de junho de 2011

Soltar a mão


Se só de escutar tua voz me falando no telefone eu choro baixinho pra você não perceber, diz como é que a gente vai ficar longe. Se eu respondo que "sim, tô meio gripada" porque o choro enrouquece a voz, diz como é que a saudade não vai sufocar cada pedacinho do que sobrou de nós. Se eu adormeço todas as noites rezando com a fé que você me ensinou a ter e com aquele seu primeiro presente entre meus dedos, me conta como é que eu vou conseguir daqui pra frente sem você. Se eu sinto frio na barriga ao fazer as coisas que a gente costumava fazer juntos, diz como é que eu faço pra não paralisar a minha vida. Se dá vontade até mesmo de deixar a louça suja na pia pra não lembrar da gente lavando juntos, conta como é que eu vou fazer as coisas daqui pra frente. Se eu não me lembro mais como era tudo antes de você, me diz como é que eu vou voltar a achar tudo bonito novamente. Se eu não escrevo mais pra não doer, se eu não sinto mais vontade de ficar na minha casa pra não sorrir sozinha por lembranças suas em cada cantinho inimaginável daqui, me conta como é eu faço pra não sentir mais vontade de sentar e chorar uma perda de um pedaço do que eu sou. Se você ir embora arranca alguma coisa vital escondida dentro de mim, fala como vai ser viver sem o que me faz sentir maravilhosamente viva. Se eu descobri como é infinitamente melhor viver dividindo o colchão e o prato de comida, conta como vai ser ver o espaço vazio ao meu lado.
Se eu sinto dor no estômago por medo de te perder, me conta como é que eu vou me sentir forte daqui pra frente. Se nem filminho happy end a noite inteira faz eu me esquecer de eu sorrindo ao ver você pegando no sono no sofá da sala, me conta como é que eu não vou olhar pras almofadas vermelhas sozinhas e não me sentir inteiramente sozinha também. Se eu não consigo me desfazer nem mesmo de um bilhete rabiscado em caneta vermelha no final do meu caderno, me conta como é que se perde a memória pra aprender a ser sozinha novamente. Se eu não vejo mais graça em festa nenhuma em que eu saiba que você não estará, me conta como não afundar no travesseiro cedo da noite pra tentar esquecer. Se até no meu sonho você aparece voltando para a minha casa, me conta como é que se esquece dos seus passos sobre as pedrinhas da frente da minha casa. Se a única pessoa que pediu o seu colo até hoje fui eu, me conta em que aconchego reclinar a cabeça quando parece que tudo vai explodir. Se eu imaginei como seriam nossos filhos, me conta agora quem é que vai ser pai dos gêmeos mais lindos do mundo. Se eu não consigo arrancar de dentro de mim tudo o que é seu, me conta quem mais vai conseguir fazer isso por mim. Se eu rezo cinco vezes mais que o normal, me explica como é que se pede a Deus para não me sentir esmagada em um pote de vidro.
Se eu sinto meu coração inchar e arder, me conta como se faz pra eu não me agachar no chuveiro chorando um choro que vem de dentro da alma. Se eu tenho medo de nunca saber amar, me conta como não invejar os casais felizes que dão beijo na ponta do nariz como a gente fazia. Se eu não sinto vontade de conhecer nenhum outro cara, conta como é que eu vou fazer pra continuar inteira mesmo sem você ao meu lado. Se não tem mais você na saída da aula, conta como é que se vai dormir me sentindo a mais sortuda do mundo. Se eu sinto um nó na garganta por saber que você não vem, me diz como não calar e parecer uma estranha dentro da minha própria casa.
Diz quem é que vai me preparar uma xícara de café com leite quando eu me atraso de manhã e quem é que vai deixar a minha escova de dentes com pasta em cima da pia do banheiro. Diz quem é que vai escrever "eu te amo" de pasta de dentes no espelho pela manhã e renovar os votos de namoro com os olhos cheios de lágrimas e brilhantes todos os meses do ano. Diz quem é que vai andar de mãos dadas comigo na rua e quem vai ter um abraço tão bom quanto o seu. Diz quem vai tirar as angústias do meu peito e aturar o meu mau humor repentino. Diz quem é que vai cantar pra mim e quem vai me dar segurança só de saber que está no outro cômodo da casa. Diz quem é que vai pintar um coração na sua camisa como contrato de amor até o fim da vida. Diz quem é que vai amar as minhas idiotices como você costumava fazer sempre. Diz pra quem é que eu vou contar todas aquelas bobeiras que faziam a gente rir. Diz pra quem é que eu não vou ter vergonha de fazer as nossas brincadeiras. Diz quem é que vai me acordar de manhã e dormir comigo até tarde. Diz quem é que vai merecer massagem nas costas doloridas e cafuné "para achar cabelos brancos". Diz como é que eu vou ficar sem sentir o cheiro da tua pele. Diz em qual peito mais eu vou deitar, em quais braços além dos seus eu vou me sentir à salvo. Conta qual mão mais vai se encaixar perfeitamente na minha como a sua sempre se encaixou. Diz com quem mais eu posso planejar meu futuro sem ter medo de tentar. Fala como é que se ama tanto sem sentir náuseas por não caber mais dentro de mim mesma. Fala como querer bem a você pode ser maior do que cuidar de mim. Me diz qual voz mais no mundo vai me dar um pouco de chão quando tudo vai mal. Me conta quem mais no mundo vai ter essa confiança plena que você sente por mim. Me conta pra quem mais eu vou entregar tudo o que eu tenho de mais bonito por dentro. Diz quem mais no mundo vai se conhecer da maneira como a gente se conheceu, me conta quem mais vai aceitar correr o risco que aceitamos correr. Me conta quem vai saber identificar tanto a felicidade em meio à simplicidade como nós soubemos. Conta quem mais vai se doar tanto como a gente fez. Diz quem é que vai merecer ocupar o lugar no meu peito que ainda é seu. Me conta como apagar o teu nome da minha pele, como esquecer do sorriso mais bonito do mundo. Conta como é que eu vou imaginar meus filhos sem teu nariz singular e sem os seus olhos de azul nítido. Diz como substituir o sentimento mais lindo que eu já tive por alguém por meia dúzia de palavras que cortam pela raiz o que é pra durar a vida toda. Diz como é que eu faço pra desatravancar o coração. Me conta o segredo pra eu parar de me sentir tão sua, porque nem eu consigo mais me orientar para outro caminho a não ser aonde você está. Me diz como me fazer desistir e ir embora, me conta como se faz pra fingir que não dói. Diz quem mais vai escutar "eu te amo" da minha boca, e quem mais vai chorar depois de escutar. Diz quem é que vai merecer o tamanho desse amor que eu tenho por você. Me diz como matar o choro entalado na garganta, como não ter vontade de te trazer para a minha casa e cuidar de você. Me conta como fazer um amor de verdade sobreviver em meio à falsidade toda desse mundo. Diz por que é que eu não consigo mais me sentir inteira em nada que eu faço. Me conta o que fazer com o que era teu. As coisas mais lindas dentro de mim são as tuas, os melhores sorrisos foi você quem me arrancou. Espero tua compreensão ao afirmar que a tua ausência deixa um buraco irreparável por aqui, e que tudo dói e fere quando eu estou sem você. Se te trouxer algum conforto, saiba que continuo rezando com uma fé enorme por você e por tudo o que ainda somos. Saiba que apesar dos pesares, eu continuo de pé. Fique bem, meu amor, e faça isso por mim.

Clarissa M. Lamega

3 comentários:

Dé Mattos disse...

Ai Clarissa, dá uma dor no coração ver um texto tão sincero, tão dolorido...
Eu me fiz muitas dessas perguntas há poucos dias e entendo bem o que tu escreveu aí. Graças a Deus as coisas se acalmaram pra mim e eu vou rezar para que se acalmem para ti tb.
Mesmo que as vezes pareça insuportável ter que se refazer e aprender a viver sem tantas coisas que levamos mto tempo para construir.. a gente consegue. Acredite que vc é capaz de conseguir.
Fique bem
Um beijo querida

Priscilla Estrela disse...

Força Clarissa,você vai conseguir superar toda essa dor,ja dizia Caio Fernando "vai passar,tu sabes que vai passar".

Naíra Galvão disse...

Tô chorando aqui...

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