segunda-feira, 14 de março de 2011

A felicidade reside no cantinho da tua boca


Eu falo é de flores. Não rosas, podem ser aquelas pequenininhas e singelas ao lado do portão da minha casa. Conto devagar pra você como foi que nos conhecemos. Falo de tomar café aninhados no chão da minha casa em reforma. Eu te lembro daquele desenho da rosa vermelha e do pedido cuidadoso para me cativar. Te falo "feliz 2011" sussurrado bem baixinho no pé do seu ouvido. Te lembro da cômica situação do chocolate negado e do banho de chuva quase tomado. Te vejo ocupando todos os espaços do meu peito.Eu falo é de mãos que se procuram, e de mãos que se encaixam - você bem sabe que algumas mãos não foram feitas para se encaixar como as nossas são. Falo de pintarmos as paredes da casa e do coração que eu desenhei na sua camisa, das horas do dia que são poucas pra matar tamanha vontade de nos vermos e nos termos mutuamente. Falo das mãos sujas de tinta que marcaram pra sempre o melhor abraço do mundo nas suas costas. Te conto como é imensa a vontade de te fazer bem. Te dou a chave - da porta lá de casa e do coração - e peço devagarzinho para que fique. Eu prometo, prometo cuidar de você. Então peço baixinho para que esses instantes que eu passo contigo também fiquem, fiquem, fiquem. E que Deus me dê a plenitude que é ver seu sorriso refletido por dentro de mim e te dê a certeza da minha felicidade transparecida pelos meus olhos - que te façam ver o quanto esse seu sorriso é precioso para mim. O quanto é gostoso te cuidar. Que é bom e ligeiramente engraçado saber que eu sou a primeira pessoa que você aninhou no seu colo. E que perceber a importância desse gesto te fez sorrir.
Seguro forte a sua mão, acaricio seu rosto com a mais leve certeza de que Deus me fez te encontrar no meio das milhares de pessoas daquele lugar. Recito um poema qualquer inventado na hora e que te faça rir numa tarde comum.
Roubo as horas do teu dia pra ficar bem perto na grama da pracinha e pra te ver rindo daquelas bobagens que só a gente ri. Repito baixinho pra não sumir da minha vida, te digo como tua alma é bela. Como você ilumina a minha existência. Te observo arrastando os chinelos e tenho vontade de segurar teu rosto só pra dizer como o homem que anda com os chinelos arrastando pela minha casa me faz feliz. Como saber da sua presença no cômodo ao lado me faz fechar os olhos e agradecer sorrindo. Quero mais conversa longa escutando o barulho da chuva, quero mais pedacinhos teus dentro de mim. Quero mais dessa coisa que me faz florescer inteirinha por dentro e chorar por saber como é lindo a gente ter se encontrado. Porque a gente se precisava e se encontrou no meio de tantos desencontros que acontecem por aí todos os dias.
Faço cara de boba apaixonada quando vejo seu sorriso mordendo o lábio e virando o rosto para os lados; incrédulo e de olhos vibrantes pelo susto de ser tão feliz no café da manhã de domingo. Cumprimos a promessa de rezar à mãezinha Maria um pelo outro todos os dias, te ensino a cozinhar e espero o beijinho na ponta do nariz que nunca me falta. Deito de barriga por cima das suas costas, te abraço enquanto você lava a louça e quase sorrio sozinha porque você é meu melhor presente e nem imagina a grandiosidade disso. Te dou um pouquinho de paz quando você deita no meu colo pra ganhar cafuné, te espio contando para o meu pai como foi bom me conhecer. Sinto o arrepio percorrendo o corpo inteiro com a sua barba encostada na minha nuca e rio do seu ciúme bobo querendo me proteger de qualquer ameaça alheia que venha a me assolar por aí. Te abraço forte, reparo na sua paciência sorrateira em me esperar no cabelereiro, te deixo entrar aos pouquinhos na minha vida e perco um pouco do meu ar quando te encontro parado na entrada da minha aula. Repetimos o quanto é engraçado lembrar que um dia mal nos conhecíamos até um olhar de compreensão mútua dar espaço à plenitude complexa que é o momento de duas almas compartilhando o melhor de si. Parece que a gente se conhecia muito antes de se encontrar: já nos amávamos e nós é que ainda não sabíamos disso! Seguro sua mão pra nunca mais soltar. Porque você me faz sorrir e me faz sentir uma leveza estranhamente calma como se tivessem borboletas no meu estômago e como se eu fosse explodir de felicidade a qualquer momento. Meu cheiro tá no seu casaco, teus olhos estão gravados no meu peito.
Eu quero, quero sim que seja você. Peço pra que você fique, já que tem aquele encanto devastador por crianças, para que um dia saiba como serão as nossas. Obrigada por você existir. Te quero, te curto, te cuido. E te amo.




Clarissa M. Lamega
Dedicado à quem tanto anda me fazendo feliz em tão pouco tempo!

2 comentários:

♥ Luciana Mira ♥ disse...

Que lindo Clarissa! Amei cada palavrinha! Lindo mesmo!

Bjinhus!

Súu disse...

Lindo esse texto. Adoro ler o que escreve, é uma leitura tão leve, tão boa.
Parabéns!

Beijo

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