sexta-feira, 23 de julho de 2010

À nossa maneira



Eu já nem acho mais tão trágico, é até engraçado. Sabe aquelas coisas que de tão pisadas e judiadas chegam a dar vontade de rir? Parece mesmo é que pior do que o nosso amor está, não pode ficar.
É quase que uma pobre de uma criança pedindo esmola na rua, o coitadinho. Coração acostumado a apanhar. E eu não coloco a culpa toda em você, de jeito nenhum - cada um tem sua parcela nessa situação. Corações mendigos, acostumados a pedir, pedir, pedir - e raramente receber. Esfarrapados, sujos, famintos. Já fui tão mordiscada e tiraram tanto pedaço de mim por aí que quero que você me dê todo o amor que me foi tirado. Quem sabe até seja por isso mesmo que ainda persistimos: estamos na mesma, meu amor. Somos do mesmo tipo de gente careta que ainda acredita no amor verdadeiro, no bem, na pureza do sentimento. O mesmo tipo de gente brega que acha gostar uma coisa bonita, que não se ilude com um corpo bonito rebolando na televisão. O tipo de gente que é out, fora de moda. Quase que feitos um para o outro, se não fôssemos essas crianças sedentas que querem descontar um no outro o mal que mundo já fez pra gente. Eu não quero só o teu olhar carinhoso, tua presença sincera, eu quero devorar sua existência e ter certeza que está aqui 24 horas por dia se eu te precisar. Quero que você precise de mim como se eu fosse seu ar, e que não tenha vergonha de me dizer isso. Quero um sentimento sensato. E se ser brega significa querer andar de mãos dadas, dormir juntinhos na rede, ganhar beijo na testa, andar abraçados na rua, dividir moletom em dia frio, eu quero muito ser brega. Mas muito mesmo! E ter direito à um amor fresco, que dê beijo de esquimó e deixe dormir no colo. Um amor que ache a coisa mais linda do mundo dormir de conchinha e dividir chinelo, que não tenha nojo de dividir escova de dente. Amor que leve pra passear, que permita te abraçar e cheirar seu pescoço na fila do cinema, que deixe mais leve mas que também tenha uma pitada de tara nas horas certas. Que tenha você em cada pensamento bonito do meu dia, que me faça olhar pela janela do quarto vezenquando só para conferir se você está ali. Quero amor bobo que dê motivo pra rir de tudo, que dê vontade de fazer coisas bregas de filme como rolar na grama, que dê vontade de bater na sua porta de madrugada pra ter certeza que não estou sozinha. Sozinha nessa, na vida, no mundo. Quero um amor que me faça ter vontade de cuidar de alguém e ser cuidada, que me faça acreditar de novo. Que faça eu me sentir viva. Que seja como respirar o ar gelado de um dia muito frio, que faz a gente ter certeza que vivemos naquele instante.
Esse amor desastrado que nasceu aqui em nós é bonito demais. É egoísta, os dois lados são famintos e querem pedir sempre mais. A culpa não é nossa, porque sempre nos foi tirado então não sabemos como ter e repartir, mas tenho certeza que estamos aprendendo. É até engraçado, duas crianças que não sabem lidar com o amor. Não sabem como pegar no colo, brincar, tocar. Mas escuta, cara: nosso amor é lindo. Isso porque amor não tem vergonha, é cara-de-pau por inteiro. Amor é o que é e fim de papo, sem medo de julgamentos alheios. Simplesmente é, na cara dura. O amor não tem medo de se mostrar na rua, de exibir seus charmes e particularidades. Por isso que me orgulho desse nosso amor torto, meio careta, que ainda não sabe como dar seus passinhos. É coração mendigo, carente de afeto e que precisa de uma mão pra segurar nesses dias tão chatos. Então, sem medo de olhares alheios: vem comigo ser feliz?

Clarissa M. Lamega

4 comentários:

Súu disse...

"que me faça acreditar de novo"

Lindo o texto *--*
Parabéns! *-*

bjus

PS: obrigada por passar no meu blog *o*

Amanda Arrais disse...

"Eu já nem acho mais tão trágico, é até engraçado. Sabe aquelas coisas que de tão pisadas e judiadas chegam a dar vontade de rir? Parece mesmo é que pior do que o nosso amor está, não pode ficar."

Acho que quando as coisas ficam assim, os problemas são banalizados e as soluções, dificilmente encontradas.
Mas o amor descrito no resto do texto é lindo e parece valer a pena.

=*

Gabriela Furtado disse...

Ai, esses corações-mendigos doem né? O meu tbm é dessa especie...

é bom voltar ao teu blog, flor
beijos

p.s como sempre: ótimo texto:**

Caroline Lopes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.

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